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quinta-feira, junho 24

Sh!
O silêncio me criou desde cedo, me ensinou a ser invisível e a escutar músicas. Disse que as palavras não eram importantes e eu acreditei. Nunca me acostumei a falar. Comecei a tentar escrever depois dos vinte e poucos, meio que forçado. Ainda não consigo escrever manuscrito direito. A comunicação nunca fez muito sentido pra mim, e me exige um enorme esforço até hoje. Acho que por isso sempre preferi a madrugada; não essas outras madrugadas, até mais barulhentas do que o dia. Essa madrugada. Mas melhorei muito, é verdade. Quando era adolescente, escutava Chopin, sozinho, numa sala escura. De madrugada. Não ri, coitado do garoto; que, além de tudo, era melancólico e nem sabia disso - pra pelo menos faturar alguma com a pose. Mas o meu silêncio não era solitário, eu tinha, lembrando agora, prazer com isso, com essas madrugadas. Mas, socialmente, era praticamente um bicho. Podia ter me tornado um bicho-do-mato completo, um recluso, um "misantropo", hein? Mas decidi procurar a luz. Ainda não encontrei, o sol e o dia ainda me incomodam. Mas já descobri uma porção de coisas interessantes que compensaram a iniciativa. Mesmo assim, uma porção de coisas ainda não fazem sentido pra mim. Engraçado, mas durante o dia (se tomado o "dia" como a vida social) eu ainda continuo tateando no escuro. Experimentando pra ver o que dá certo e o que não dá. Por isso, acho, a minha falta de tato em algumas situações.

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