segunda-feira, abril 28
O princípio do blog é a conversa. Um papo entre quem posta e quem lê. Fica entre a conversa ao vivo ou por telefone (que o pessoal chamaria hoje de 'tempo real') e a troca de cartas, situação em que uma resposta pode demorar dias ou semanas para chegar. Quem escreve em blog pretende ser lido, caso contrário escreveria em diário de papel, folha de sulfite, documento do Word, qualquer coisa. Por isso a resposta é tão importante, mesmo que muita gente faça gênero, dê pinta de ranzinza e destrate ou finja desprezar quem deixa comentários. Jogo de cena. Mesmo quem escreve blogs pra si mesmo, sem ter notícia de leitor algum, imagina que alguém possa bisbilhotar de vez em quando, um leitor oculto. Porque, no mínimo, existe essa possibilidade.
Insônia ou senvergonhice? Acordado a essa hora, quase duas da manhã, tendo que estar de pé às sete e meia. Prefiro achar que é insônia. Outras pessoas devem ficar com a alternativa 'b'. Já recebi conselhos de desligar o computador: "isso te deixa com a cabeça a mil por hora". Exagero, claro. Mas faz sentido. Aliás, quem perguntou? Alguém está interessado em saber que no Brasil existem 3 milhões de estudantes universitários? Dois terços em faculdades privadas e dois terços nas públicas. Acho queu nunca vou aprender a escrever em blogs. Isso exige uma franqueza que não tenho. Será que Guimarães Rosa teria um blog? Não no final da vida, claro, mas na juventude. Se bem que ele começou a escrever tarde, não foi muito precoce. O Veríssimo também (filho), se bem que não há comparação; são duas coisas completamente diferentes.
O Veríssimo disse em uma palestra aqui em Londrina que não considera que seu trabalho seja literatura: "O que eu faço é entretenimento". De certo modo concordo com ele. Por outro lado não. Seus textos têm um quê de passageiros, fugazes, mas pode ser que muita coisa fique. Suas crônicas têm algo de universal, de atemporal, lidam sim com "aspectos abjetos da natureza humana" (como escrever isso sem áspas?).
O Veríssimo disse em uma palestra aqui em Londrina que não considera que seu trabalho seja literatura: "O que eu faço é entretenimento". De certo modo concordo com ele. Por outro lado não. Seus textos têm um quê de passageiros, fugazes, mas pode ser que muita coisa fique. Suas crônicas têm algo de universal, de atemporal, lidam sim com "aspectos abjetos da natureza humana" (como escrever isso sem áspas?).
domingo, abril 27
Short cuts
Topei com a moça pela primeira vez domingo passado. Quase meia-noite, na porta do Armazém (o bar). Fui até lá encontrar o Renato, ele me telefonou do orelhão dizendo que a banda do irmão ia tocar por ali. Mas enrolei tanto em casa que quando cheguei no bar não tinha mais Renato, não tinha mais banda nem tinha mais irmão. Mas tinha a moça. Logo na entrada, ao lado do segurança/porteiro. O armário que barra a entrada e te vende o talãozinho de consumação. "Cinco reais". "Mas não era R$1,oo?". Não era mais. Atrasado de novo. Me deixou dar uma espiada pra ver se o Renato ainda tava lá dentro.
Fiquei um minuto e meio pescoçando, da entrada, o pessoal jogando sinuca (mesas em perspectiva). "Você passou perfume?", ela me disse. Até então nem tinha notado direito a presença dela, a uns trinta centímetros de mim. "Tá com um cheiro bom". Pego de surpresa, fico sem jeito nessas horas, me dá tilt, não raciocino direito. Mas falei que não (na verdade nunca passo perfume). "Deixa eu sentir", e já foi chegando o nariz no meu pescoço. Deixei. Me despedi (fazer o quê? me falta esse talento) e fui embora ruminando se devia voltar e tentar um papo. Mas tava sóbrio de tudo... Fui embora e o resto da noite é história.
Quinta-feira de manhã. Tinha ido a pé daqui até a minha casa, meu carro estava lá. Onze quarteirões contados. Atrasado de novo, nove e dez quando cheguei na padaria. Pedi um guaraná de dois litros (doação pra festa dos índios) e a menina que me atendeu de trás do balcão me olhava com expressão meio divertida meio intrigada. Fiquei achando que estava tirando uma com a minha cara. Não parava de me encarar. "Dois e oitenta", disse quando perguntei o preço. Paguei no caixa e quando ia saindo ela, ainda com o sorriso de interrogação:"você vai no Armazém?". Aí bateu. "Eu já fui" (não tava mentindo). Ela: "Desculpa, acho que te confundi com alguém". Deve ser.
Topei com a moça pela primeira vez domingo passado. Quase meia-noite, na porta do Armazém (o bar). Fui até lá encontrar o Renato, ele me telefonou do orelhão dizendo que a banda do irmão ia tocar por ali. Mas enrolei tanto em casa que quando cheguei no bar não tinha mais Renato, não tinha mais banda nem tinha mais irmão. Mas tinha a moça. Logo na entrada, ao lado do segurança/porteiro. O armário que barra a entrada e te vende o talãozinho de consumação. "Cinco reais". "Mas não era R$1,oo?". Não era mais. Atrasado de novo. Me deixou dar uma espiada pra ver se o Renato ainda tava lá dentro.
Fiquei um minuto e meio pescoçando, da entrada, o pessoal jogando sinuca (mesas em perspectiva). "Você passou perfume?", ela me disse. Até então nem tinha notado direito a presença dela, a uns trinta centímetros de mim. "Tá com um cheiro bom". Pego de surpresa, fico sem jeito nessas horas, me dá tilt, não raciocino direito. Mas falei que não (na verdade nunca passo perfume). "Deixa eu sentir", e já foi chegando o nariz no meu pescoço. Deixei. Me despedi (fazer o quê? me falta esse talento) e fui embora ruminando se devia voltar e tentar um papo. Mas tava sóbrio de tudo... Fui embora e o resto da noite é história.
Quinta-feira de manhã. Tinha ido a pé daqui até a minha casa, meu carro estava lá. Onze quarteirões contados. Atrasado de novo, nove e dez quando cheguei na padaria. Pedi um guaraná de dois litros (doação pra festa dos índios) e a menina que me atendeu de trás do balcão me olhava com expressão meio divertida meio intrigada. Fiquei achando que estava tirando uma com a minha cara. Não parava de me encarar. "Dois e oitenta", disse quando perguntei o preço. Paguei no caixa e quando ia saindo ela, ainda com o sorriso de interrogação:"você vai no Armazém?". Aí bateu. "Eu já fui" (não tava mentindo). Ela: "Desculpa, acho que te confundi com alguém". Deve ser.